Novak Djokovic continuou a ampliar um legado incrível ao conquistar o 101.º título da carreira, vencendo o Hellenic Championship, em Atenas, após um duríssimo 4-6, 6-3, 7-5 frente a Lorenzo Musetti. O campeão de 24 Grand Slams voltou a provar a sua solidez mental, recuperando de um set para erguer o segundo troféu da temporada de 2025
O torneio teve um significado especial para o sérvio — foi a edição inaugural do Hellenic Championship, competição pertencente à sua família que se mudou de Belgrado para a sua nova cidade, Atenas. Para Djokovic, o triunfo valeu muito mais do que mais um título no papel.
Perante um público grego que o tratou como um dos seus, o número um mundial encontrou as palavras para expressar gratidão e pertença. “Jogar aqui e simplesmente estar aqui sabe a casa”, disse Djokovic em court após erguer o troféu, com a voz carregada de emoção. Com a família e os amigos mais próximos nas bancadas, foi uma semana que lhe recordou as raízes, o caminho percorrido e a ligação que mantém com adeptos em todo o mundo.
Antes de celebrar, Djokovic fez questão de homenagear o adversário, elogiando o nível e o esforço de Musetti durante toda a semana. “Por respeito ao Lorenzo e à sua exibição hoje e durante toda a semana, quero dizer umas palavras”, começou. “O teu nível de ténis foi incrível toda a semana, especialmente hoje. A tua evolução em piso rápido é extraordinária — continua, estás no caminho certo.” Foi um raro momento de calor e respeito entre dois rivais que já se defrontaram em várias batalhas intensas, em diferentes superfícies.
Para Musetti, a derrota doeu. O italiano, que somou a terceira final perdida da época, voltou a mostrar rasgos de brilho, mas a experiência e a frieza de Djokovic nos momentos de fecho fizeram a diferença. A quarta vitória do sérvio sobre um Top 10 este ano acrescenta mais uma camada a uma campanha que, embora mais silenciosa do que o habitual em termos de Majors, continua indiscutivelmente de elite.
“Sagapo, Greece”: Djokovic elogia o público de Atenas e apela ao regresso da tradição tenística
Djokovic utilizou grande parte do discurso pós-jogo para agradecer ao público grego, destacando a sua paixão e energia ao longo da semana. “É a primeira vez que a Grécia recebe um torneio de ténis masculino deste nível em mais de 30 anos”, disse. “Honestamente, a sensação geral após esta semana é que parecia que o torneio nunca tinha saído, como se estivesse aqui todos os anos.” A bancada respondeu com aplausos fortes quando Djokovic, em grego fluente, acrescentou: “Sagapo, Greece — muito obrigado.”
O sérvio reconheceu também o trabalho nos bastidores, sublinhando como o evento foi montado em tempo recorde. “Este torneio aconteceu em três ou quatro meses”, notou. “Muita gente não percebe o quão desafiante é organizar um torneio internacional deste nível, mas este foi um final perfeito.”
Precisamente, este foi o último torneio da época para o sérvio que, apesar de se ter qualificado para as ATP Finals no 4.º lugar, optou por não jogar. A justificação oficial é uma lesão no ombro — apesar de ter competido até ao fim em Atenas —, enquanto Lorenzo Musetti admitiu que o rival lhe disse antes da final que não iria disputar as Finals. Djokovic encerrou a temporada com dois títulos e um registo de 39-11, além de mais de 5 milhões de dólares em prize money.
Já o italiano conseguiu apurar-se para Turim apesar de ter terminado em 9.º (apenas 5 pontos atrás de Felix Auger-Aliassime, que ocupou o 8.º lugar na semana passada após chegar à final do Paris Masters).