“Acho que acabou”: Caroline Wozniacki sugere que o capítulo do regresso pode estar encerrado

WTA
domingo, 09 novembro 2025 a 16:00
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Caroline Wozniacki reapareceu numa entrevista no Nothing Major — ao lado de John Isner e Sam Querrey — onde falou sobre o regresso aos courts após três anos e meio afastada do ténis e sobre a nova pausa que iniciou em 2025, após anunciar a terceira gravidez com o marido David Lee.
A antiga n.º 1 do mundo retirou-se pela primeira vez em 2020 e regressou no final de 2023 — já com 33 anos — competindo em vários torneios ao longo de 2024. Contudo, revelou no final do ano que estava à espera do terceiro filho e decidiu voltar a parar, sem esclarecer totalmente se se trata de uma retirada definitiva ou se ainda pondera um último regresso aos courts.
“Quase não toquei numa raquete durante três anos”, disse no podcast Nothing Major. “Talvez duas vezes — antes, durante e depois de ter a Olivia. Mas depois de ter o James, quis voltar a estar em forma e pensei: vamos bater bolas uma vez por semana, por diversão.”
O regresso nunca foi apenas sobre voltar a ganhar. “Decidimos viajar com as crianças, deixá-las ver o que eu faço e criar memórias em conjunto”, explicou. A vida no circuito significa agora manhãs cedo, rotinas de escola e treinos encaixados na vida familiar. “Mesmo que esteja cansada ou doente, apareço sempre. Talvez faça algo mais leve, mas estarei lá. Sou um bocadinho ‘psycho’ nesse aspeto — muito regimentada. Hora de deitar às 19:30, banho às 19:00 — é assim que funciona. Toda a gente prospera com estrutura.”
A dinamarquesa falou sobre a possibilidade de regressar aos courts — agora com 35 anos — ou se a pausa do último ano já é definitiva. “Não, acho que acabou”, disse, embora não tenha descartado por completo a hipótese de um regresso-surpresa no futuro, admitindo que seria complicado. “Ainda tenho muito tempo para decidir. Se achar que consigo voltar a ficar em forma, nunca digas nunca. Mas com três crianças pequenas, isso já é um trabalho a tempo inteiro”, explicou no podcast.

“Ser n.º 1 devia ser mais difícil do que ganhar um Grand Slam”

Quando Wozniacki chegou finalmente ao topo do ranking, tinha apenas 20 anos. Oito anos depois, conquistaria o primeiro major no Australian Open — um intervalo longo que marcou a sua narrativa. Para si, porém, ambos os feitos tiveram o mesmo peso. “Acho que queria fazer os dois”, disse. “Toda a gente quer os dois. Mas quando me tornei n.º 1, a etapa seguinte foi: ok, ainda não ganhei um major — agora quero um major.”
“De um modo geral, penso que ser n.º 1 devia ser mais difícil de alcançar do que ganhar um Grand Slam. Para vencer um Slam, só precisas de estar no teu melhor durante duas semanas — e qualquer um pode ter duas semanas mágicas em que joga o ténis da sua vida. Mas para ser n.º 1, tens de ser consistente durante um ano inteiro. Isso é muito mais difícil.”
Essa consistência, mais do que qualquer título isolado, tornou-se a sua marca. Durante 71 semanas, Wozniacki manteve-se no topo — atravessando pisos, épocas e gerações — e conquistou 30 títulos na carreira.

“Estava a jogar com dinheiro do casino” - a campanha no Open da Austrália

O triunfo do Grand Slam em Melbourne quase não aconteceu. “Perdi o primeiro set e estava 5-1, 40-15 na segunda ronda”, recordou. “De alguma forma, consegui dar a volta e ganhar esse encontro, e a partir daí senti que estava a jogar com dinheiro do casino.” Essa recuperação mudou-lhe por completo a mentalidade. “Curiosamente, durante a final estava bastante calma. Conhecia bem a minha adversária, estava a jogar bem e, depois de ter salvo match points no início do torneio, pensei: aconteça o que acontecer, acontece.”
As condições eram duríssimas, mas Wozniacki lembra o momento com um sorriso. “Estava um calor insano — 88 graus quando começámos, e foi ficando cada vez mais quente e húmido. Estávamos as duas exaustas. No fim, lembro-me de pensar: vamos lá descobrir quem ganha para podermos ir para casa.”
Depois de a sua adversária ter ido ao hospital para soro intravenoso, Wozniacki continuou a celebrar. “Acabei a festejar até às quatro ou cinco da manhã — e depois tinha a sessão de fotos com o troféu às oito. Não sei porque é que achei que era boa ideia. Arrependi-me, sem dúvida.”
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